Hoje vi um cachorro querendo se levantar e não conseguindo, bem na verdade se tratava de uma cadela. O olhar angustiante e esperançosa da "dona" chamando sua companheira e sua amiga sem forças para levantar. A moça olhou pra mim com um olhar de condescendência e disse: - É coluna!. Angustiei-me igualmente e chorei um pouquinho por dentro. Num espírito jovial (que ainda preservo e cultivo em mim) completei e perguntei: Mas isso deve passar, né? O fato é que sua amiga já parecia velhinha, de idade avançada. A conversa desastrosamente esperançosa seguia:
- Mas...Quantos anos ela tem? (Já sabia por assim dizer, que a idade dos cachorros se dá pela multiplicação do número 7. Logo se um cachorro possuía um ano de idade. A conta seria 7 x 1 = 7, ou seja o animal teria 7 anos em relação aos humanos - informação de um jornal barato).
- 10 anos, ou seja 70.
-É eu sei.
-Ela tem essas crises de vez em quando. Ela se arrasta e as vezes nem se levanta então para descer tenho até que carregá-la.
-Hoje é um dia de crise, né? De qualquer maneira acho que ao poucos ela vai levantando.
-É ela vai levantando
Ainda sentado sob a cerâmica fria do prédio esperava na brisa da noite o semblante embaçado da minha figura materna com minha filha negrita. Meu carinho ao me ver soltou-se da coleira desesperada pulou sobre meu colo querendo só atenção.
A senhoria ,vendo a cena de puro carinho, pede: - quem sabe a Pretinha não anima a Dayse? A Pretinha tenta mas Dayse alí permanece imóvel na grama com anseio de interagir com todo o cenário construído, mas seu corpo a impedia e o olhar agoniante de Dayse era a unica coisa que traduzia suas emoções.
Pensava eu antes de toda a situação sobre a condição de nossos corpos e o quão fictícia é a eternidade.
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