Corte
Essa tensão... é uma defesa....e agora não é mais nada...estou mais leve do que nunca, cada dia que compro minha passagem pra fora daqui é um dia que me sinto mais perto de casa, um caminho só meu que apenas lendas trilharam parecidos, mas não quero nenhum reconhecimento, bem na verdade não quero nada. Penso agora, acho que devo mudar meu nome para sopro. É o somos para os outros: ventos agradáveis e momentâneos que logo seremos esquecidos. Essa sensação dentro de mim me carrega, me abraça, me protege. Pergunto-me quem sou. Cortei meu pé no cortador de grama. Estamos perdidos. O corte foi feio. Sangrou todo o chão de minha casa. As pedras brancas de minha águia idealizada em meu jardim ficou pintada de vermelho. Não sinto direito meu dedo, e nem tenho coragem de vê-lo nem agora. O que senti na hora? Não foi dor, Foi um susto e (que ninguém me escute, apenas vc fantasma que lê meu diário) mas senti uma beleza estética muito grande com a mistura de cores. Quanto tempo não via tanto sangue meu. Logo olhei-me novamente e vi o quanto sou o vento pras pessoas. Mas não me importo mais. As coisas estão acontecendo como em uma cachoeira verdade fria e transparente.
Mas meu dedo ainda está cortado
Tanta dor que não quero nem olha-lo diretamente.
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