segunda-feira, 10 de maio de 2010
Debaixo d´agua e dentro de mim
Quando estou debaixo da água ouço sons que nunca ouvi na vida. Eles são mais intensos. Outra esfera de realidade. A apnéia me leva a um portal que me tira daqui. Não sinto nada, nem a gravidade. Não estou flutuando. Estou suspenso. Estou dentro de mim. Aqui ninguém me toca e ninguém pode te fazer mal. Nada desconfortável. Uma sensação óptima e única. Não existe ser humano que possa me ver agora. E se visse ninguém se importaria. Morrer neste caso poderia ser uma extensão dessa nova identidade que sinto agora. Podia ser. Estou em um lugar em que parece não existir. Me pergunto se seria esse o infinito. Me pergunto o quão presente é a grandeza de um infinito dentro de mim. Levemente uma dor no peito vai aparecendo. O pulmão está apertado, preciso de ar. Mas o desejo de permanecer é constante. Ainda é.
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